Mulher do Mês – Clarice Lispector

Ué, quem é essa? 

Essa é a rainha dos mistérios. É a autora das tramas psicológicas mais intensas, extraídas das realidades mais mundanas. Foi assim que Clarice Lispector ficou conhecida: pela densidade psicológica de seus romances, pela complexidade que exalava de suas personagens femininas de vidas “normais”.  

Suas protagonistas revelavam um pouco da autora: dona de casa, mãe, mulher de diplomata, e, ao mesmo tempo, artista talentosa, expressão máxima da subjetividade feminina. Clarice foi e é um ícone da literatura brasileira. 

Apesar de ter nascido na Ucrânia, Clarice chegou ao Brasil com menos de um ano de idade, em 1921. Ela gostava de exaltar sua brasilidade, dizendo que sequer “pisou” na Ucrânia, pois nesse país só havia sido carregada no colo. Sua família, judia, fugiu da guerra civil russa e da perseguição religiosa. Há relatos, inclusive, de que sua mãe teria sido estuprada por soldados russos. 

Os Lispector chegaram no nordeste, onde já viviam alguns parentes, e residiram muitos anos em Recife. Quando Clarice tinha 9 anos, sua mãe faleceu, e, aos 14, seu pai levou as 3 filhas para o Rio de Janeiro, em busca de melhores condições de vida. Na capital, Clarice decidiu que iria cursar direito. Sendo mulher, de fora da elite carioca, é claro que o fato causou  certo frisson. 

Durante o curso, a estudante conseguiu uma vaga na agência de notícias do governo Getúlio Vargas, como editora e repórter. Lá ela fez diversos contatos com artistas e escritores brasileiros. Ela também colaborou para a revista universitária, com artigos como: ˜Deve a mulher trabalhar?˜ (corretíssima, né?), e conseguiu publicar diversos contos em uma revista direcionada ao público masculino. 

 

A partir daí, ela começou a trabalhar no seu primeiro romance, lançado em 1941 (aos 22 aninhos!). A obra foi um sucesso estrondoso! Clarice foi comparada a James Joyce e Virgínia Wolf, (isso, na verdade, irritava a autora, que queria reforçar sua brasilidade). A principal crítica negativa sugeria que “temperamentos femininos” enfraqueciam a obra (mimimi).

Logo após o primeiro livro, Clarice casou-se com um diplomata, e os próximos 16 anos de sua vida seriam entre Europa e Estados Unidos, em contato com intelectuais brasileiros que também vivam no exterior. Do outro lado do oceano ela seguiu escrevendo romances e enviando contos para jornais brasileiros. Ah, e teve 2 filhos, Pedro e Paulo.

Em 1959, Clarice voltou ao Brasil com os meninos, separada do marido. Em busca de independência financeira, ela começou escrever com o pseudônimo de Helen Palmer, na coluna feminina ˜feira de utilidades˜. A fase madura da escritora foi marcada por alta produtividade literária, mas também pelas dificuldades com um dos filhos, que foi diagnosticado com esquizofrenia. 

Em 1966, Clarice dormiu com um cigarro na boca, o que provocou um incêndio! Ela sofreu graves ferimentos na mão direita, que por pouco não foi amputada. A partir daí ela precisou de ajuda para escrever. Em 1977, aos 56 anos, a escritora descobriu um câncer de ovário, inoperável, que a levou à sua morte, um dia antes de completar 57 anos. 

Clarice é eterna estrela brasileira, orgulho feminino nacional. 

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