Mulher do mês – Bertha Lutz

Pitayas queridas, como foram de carnaval? Caíram na folia ou deram uma descansada? Buenas, março chegou, e agora, sim, o ano começou! Para inaugurar 2020 com leveza, apostamos em calcinhas de algodão! Bora desabafar as pererecas depois dos colãs, biquínis, bodies e purpurinas? 

Falando em pererecas, nossa homenageada do mês era bióloga, e justamente especialista em anfíbios! Além de um legado enorme na sua área de estudo, ela também foi super engajada nos direitos das mulheres, e fez a diferença na história do feminismo brasileiro!  

Ué, quem é essa? Cientista e feminista engajada, ela teve dedo na aprovação do voto feminino no Brasil e até na inclusão de igualdade de gênero na carta da ONU. Ela é Bertha Lutz! Se você não conhece essa mulher, precisa conhecer! Vem com a gente!

Nascida em São Paulo, ainda no final do século 19, Bertha era filha de um médico brasileiro e de uma enfermeira inglesa (aí a inspiração pelas ciências biológicas). Aos 14 anos ela foi estudar na Europa, e acabou fazendo biologia na Sorbonne, em Paris. E imaginem: se hoje ainda temos relativamente poucas mulheres cientistas, quem dirá naquela época! 

Ela estudou anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) e quando voltou ao Brasil, em 1919, catalogou milhares de espécies de animais nacionais. Algumas, inclusive, acabaram sendo batizadas com o nome dela. Te mete, ter uma perereca “Lutzorum” para chamar de sua, hein?!

Mas o legado dela mal começa por aí. Ao chegar às terras tropicais, Bertha prestou concurso para o Museu Nacional, no RJ. Ela foi aprovada em primeiro lugar, e tornou-se a segunda mulher na história do Brasil a assumir um cargo público por meio de concurso. 

Ela sabia da importância das mulheres alcançarem a esfera pública, e se meterem onde bem quisessem! Afinal, ela foi muito Influenciada pelo movimento sufragista que borbulhava na Europa no começo do século 20, que exigia direitos políticos às mulheres. 

Bertha Lutz 1925.jpg

Mas se no hemisfério norte as mulheres foram conquistando o direito ao voto no começo do século, aqui na nossa República café com leite, a coisa era mais complicada. Foi aí que Bertha organizou o primeiro congresso feminista do país, em 1922, e fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Ela assumiu papel de liderança na luta pelo direito das mulheres por aqui, focando especialmente no sufrágio feminino!

Água mole em pedra dura, em 1932, a FBPF comemorou a aprovação do direito ao voto para mulheres, durante o governo Vargas! E mulheres puderam ser votadas também, de forma que Bertha Lutz foi eleita deputada suplente, em 1934. Em 1936 ela chegou a assumir o cargo, depois do falecimento do titular, mas a ditadura que se instaurou em 1937 abreviou sua carreira política. 

Nem por isso ela não parou de militar pelos direitos das mulheres. Seus esforços foram reconhecidos em 1945, quando ela foi selecionada pelo governo para ser parte da delegação oficial do Brasil na Conferência de São Francisco, em que seria assinada a Carta da ONU. Entre os 160 representantes de mais de 50 países, apenas 6 eram mulheres! 

O que Bertha queria era incluir no preâmbulo da Carta uma menção à igualdade de gênero. E conseguiu! Ela se uniu a delegadas latino-americanas, que eram as mais progressistas, e conseguiu emplacar sua reivindicação (apesar de não ser consenso entre as 6 mulheres que estavam por lá). 

Sim, a Carta da ONU fala em “igualdade de direito dos homens e das mulheres” graças a uma brasileira! Bertha dizia: “Nunca haverá paz enquanto as mulheres não ajudarem a criá-la”

Bertha faleceu em 1976, aos 82 anos, e deixo para o Museu Nacional todo seu acervo pessoal (mas infelizmente tudo virou cinzas no incêndio de 2018). Atualmente, o Senado federal concede um prêmio anual “Bertha Lutz” para pessoas que contribuem para os direitos da mulher e questões de gênero no Brasil. Ah, e a vida dela também virou história em quadrinhos! Merecidamente, né?!

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