Nossa luta não acaba na eleição

Olá, amigas da Pitaya! Tudo bem com vocês?

Em Novembro tivemos eleições municipais, e queremos saber: como foi a eleição na cidade de vocês? Ocupamos, no plural mesmo, vagas na prefeitura e Câmara de Vereadores? É urgente que nós, mulheres, estejamos representadas em todos os lugares, inclusive na política. O voto feminista é revolucionário!

Até o início do século XX, o voto era um direito exclusivo dos homens – especialmente de homens brancos ricos. Quem acompanha a importância da luta das mulheres por direitos muitas vezes não imagina quão recentes são algumas das conquistas para o gênero feminino do ponto de vista histórico. Há apenas 88 anos, as mulheres nem sequer participavam da vida política do país, uma vez que eram proibidas de votar. 

Somente em 24 de fevereiro de 1932 (!!), o Código Eleitoral passou a assegurar o voto feminino. O direito foi concedido apenas a mulheres brancas casadas, com autorização dos maridos, e para viúvas com renda própria. Enquanto as mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto e ao estudo, as mulheres negras batalhavam para poderem existir.

Em 1934 o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal. Esse cenário não era exclusividade do Brasil. Na França, por exemplo, o voto feminino se tornou realidade em 1944 e, na Suíça, em 1971. No Brasil, a bandeira das mulheres pelo direito de votar e de serem votadas teve início décadas antes, pelo menos desde 1891, quando foi apresentada proposta de emenda à Constituição brasileira que trazia essa prerrogativa. Na época, contudo, a iniciativa foi rejeitada. A internacionalização do movimento, conhecido como sufragista, favoreceu a conquista do voto feminino em diversos países.

Apesar dos avanços, a nossa luta por igualdade de direitos ainda é atual e se reflete nos espaços de poder, onde os homens ainda ocupam a maioria absoluta dos cargos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, nós representamos quase 53% de todo o eleitorado brasileiro, mas, ainda assim, somos minoria nos cargos eletivos.

Temos muitos desafios pela frente, nossa luta não acaba nessa eleição. Queremos espaços públicos menos hostis, o direito de andar pela rua sem medo, o direito a iluminação de qualidade, a garantia de segurança pelos espaços que transitamos e tantos outros direitos que ainda hoje nos são negados. 

Precisamos continuar combatendo a desinformação, o preconceito e a desigualdade incansavelmente. Não nos enganemos, é fora do período eleitoral que fazemos política de maneira mais intensa. Nós sabemos que para movimentar estruturas é necessário que mudanças significativas ocorram. Esse é o momento de ter conversas difíceis com amigos, familiares e conhecidos. Desafiar crenças cristalizadas, mostrar o significado da desigualdade, revelar o que não é óbvio para uma enorme parcela da população: o feminismo é essencial para a democracia. 

É hora de convencermos as pessoas a virem pro nosso lado, não pra votar nesta/neste ou naquela/aquele candidata(o), mas para se levantar contra o feminicídio, os menores salários para mulheres e o conservadorismo que nos mata. No Clube das Pitayas estamos comprometidas com os valores e as lutas feministas, vamos juntas?

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