Mulher do mês – Madalena Caramuru

Ela foi a primeira mulher alfabetizada no Brasil, e era indígena! Ué quem é essa? É Madalena Caramuru, filha de mãe indígena e pai branco, que viveu nos primórdios do Brasil colônia. 

Ela recebeu educação (colonial, claro) após seu casamento com um homem branco, e usou da escrita para batalhar pelo fim da escravidão e pela igualdade de acesso à escolaridade para homens e mulheres. 

A história de Madalena é contada por relatos de historiadores do Brasil colônia, e é certamente romantizada, para exaltar o “mito das 3 raças”, de uma grande nação originada na miscigenação. 

Sabemos que há muita idealização nisso e que os indígenas foram dizimados por colonizadores. Mesmo uma história bonita de amor, bem Pocahontas, não muda a realidade. 

Madalena é a representação de uma mulher que usou dos seus meios para lutar contra a opressão e em favor da igualdade de gênero. Por esse motivo, a história dela merece ser contada. Ela nasceu poucos anos depois da chegada dos portugueses em terras tupiniquins. 

Seu pai, Diogo Corrêa, apelidado de Caramuru, foi um náufrago que chegou na Bahia por volta de 1510 e passou anos vivendo em uma tribo Tupinambá. Reza a lenda que ele criou laços de amizade com os povos indígenas, facilitando o contato entre nativos e colonizadores europeus. Por isso, ele foi “presenteado”  com a filha do cacique, Paraguaçu.

 

Se Madalena era filha da Paraguaçu mesmo ou de outra índia com quem o Caramuru teve filhos, isso não se sabe ao certo. O fato é que Madalena seguiu os passos da mãe e casou-se com um português, Afonso Rodrigues. Através dele, ela teve acesso à educação, rompendo o padrão em uma época em que mulheres eram mantidas na absoluta ignorância.

O registro da alfabetização de Madalena são as cartas que ela escreveu ao bispo de Salvador pedindo a libertação dos escravizados. Ela também usou o seu acesso à escrita para reivindicar ao padre que esse acesso fosse estendido a todas as mulheres. 

O pedido chegou a ser enviado à corte portuguesa, e analisado pela rainha Catarina. Mas a soberana achou a ideia muito ousada e perigosa (mal sabia ela!), e negou. As escolas públicas femininas só vieram a ser implementadas em terras brasileiras vários séculos mais tarde, em 1827.

Quando falamos de cidadania de mulheres indígenas então, os avanços são ainda mais lentos. Mas já temos alguns motivos para comemorar: em 2001, o legado de ativismo de Madalena foi reconhecido pelos Correios, que criou um um selo em homenagem a ela. 

 

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Mais recentemente, em 2018, a primeira indígena foi eleita para representar o Estado de Roraima no Congresso Nacional, a deputada Joênia Wapichana. E a líder indígena Sônia Guajajara concorreu como vice-presidente na chapa do candidato Guilherme Boulos. 

 

Certamente a história da Madalena deu origem a inúmeras imagens criadas em torno de um suposto processo civilizatório branco e eurocêntrico. Mas ela também é símbolo de uma mulher indígena pioneira, que usou as ferramentas que tinha para lutar contra injustiças. Que a educação, diversificada e plural, siga libertando as mulheres do nosso país!

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